Atravessando o Estreito de Magalhães
Cheguei ao embarcadouro com o vento patagónico a cortar a cara. Fila de carros, cheiro a sal e gaivotas a fazerem círculos. Quando o ferry abriu a boca, entrámos devagar; motor desligado, casaco bem fechado e olhos no Atlântico que aqui se encontra com o Pacífico.
A travessia é curta mas cheia de encanto: água cinza-azulada, ondas a bater no casco e, com sorte, toninas overas (golfinhos-pintados) a acompanhar a proa. Fico sempre no convés a sentir o frio e a pensar em Magalhães e nos navios que passaram por aqui rumo ao “fim do mundo”.
Ao ver a outra margem aproximar-se, dá aquele arrepio: Terra do Fogo à frente, estepes infinitas e uma estrada que convida a continuar. Desembarque simples, um último olhar para o estreito e seguimos viagem.
Dicas rápidas: casaco corta-vento (mesmo no verão), confirma horários e possíveis fechamentos por vento, leva algo quente para beber e tem a câmara pronta — a Patagónia gosta de surpreender.



