Águas: de onde vêm e por que são “cor de ferro”
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O tanque termal é alimentado por uma nascente vulcânica do vale das Furnas; a água chega à superfície ~42 °C e, após mistura/arejamento, mantém-se confortável para banho (~35–40 °C). A cor ocre vem do ferro dissolvido que oxida em contacto com o ar — por isso mancha fatos claros e metais.
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As Furnas formam uma das maiores hidrópoles vulcânicas do mundo: dezenas de nascentes com química variada (frequentes bicarbonatadas e ricas em minerais como ferro, com pH por vezes ácido). Estudos hidrogeoquímicos mostram que estas águas são aquecidas em aquíferos pouco profundos e enriquecidas por gases como CO₂ antes de emergirem.
Como aproveitar melhor as termas (dicas práticas)
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Use fato de banho escuro, passe no duche antes e depois e traga toalha/chinelos. Se sentir tontura (calor + vapor), saia e hidrate-se. (O ferro pode deixar película na pele: um bom duche remove.)
Jardins: o que torna o Terra Nostra único
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O parque é um jardim botânico romântico com 12,5 hectares, lagos, ribeiras férreas, grutas e pontes — e várias coleções de referência:
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Camélias: reconhecido pela International Camellia Society; levantamento recente identificou 669 fenótipos (38 espécies, 178 híbridos, centenas de cultivares) — floradas do outono à primavera.
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Cicadáceas, fetos (incl. fetos-arbóreos), vireyas (rododendros tropicais), bromélias e um jardim de endémicas dos Açores. Trilhos curtos percorrem estas áreas temáticas entre sombras, ribeiras e miradouros.
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Sugestão de visita “redonda”
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Manhã: passeio botânico (camélias no inverno/primavera) → tanque termal antes do almoço.
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Tarde: regresso aos canteiros especializados e ao centro de interpretação para entender a geologia e a história do jardim.
Origens (séc. XVIII)
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1775–1780 — O mercador bostoniano Thomas Hickling, então cônsul dos EUA em São Miguel, apaixona-se pelo vale das Furnas e ergue a sua casa de veraneio, a Yankee Hall, com um primeiro jardim paisagístico e uma piscina termal (pequena, já com “ilha” ao centro). Este é o núcleo do futuro Parque Terra Nostra.
Expansões românticas (séc. XIX)
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Ao longo do século XIX o domínio cresce de ≈2 ha para uma área muito mais ampla com canais, grutas, alamedas de buxo e coleções botânicas exóticas. A propriedade passa pelos Viscondes da Praia e, mais tarde, por ramos da família Bensaude, que trazem especialistas portugueses e britânicos (registos de 1872 referem obras de fundo no canal e nos jardins).
Viragem turística (anos 1930)
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1935 — inaugura o Terra Nostra Garden Hotel (estilo Art Déco), impulsionado por Vasco Bensaude e pela Terra Nostra Society, que promovia São Miguel como destino termal. A piscina termal é ampliada e o parque é reaberto ao público com cerca de 12,5 ha. O jardineiro-chefe John McEnroy (escocês) colabora na modernização botânica.
Consolidação botânica (séc. XX–XXI)
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O jardim afirma-se como romântico-botânico de referência, com coleções que hoje incluem centenas de cultivares de camélias (reconhecidas pela International Camellia Society) e conjuntos notáveis de cicadáceas, fetos arbóreos e vireyas. Intervenções posteriores mantêm o traçado histórico e renovam coleções.
Hoje
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Integrado no Bensaude Hotels Collection, o parque continua aberto ao público com circuitos de visita, Centro de Interpretação e a icónica piscina férrea (~37 °C). O hotel e o jardim permanecem como a dupla “alma” do vale, combinando termalismo, botânica e hospitalidade.
Linha do tempo (resumo rápido)
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1775–1780 — Hickling cria a Yankee Hall, jardim e primeira piscina termal.
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séc. XIX — Ampliações paisagísticas sob Viscondes da Praia e, depois, família Bensaude.
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1935–1937 — Abertura do Terra Nostra Garden Hotel; reabertura e ampliação do parque/piscina; atuação de Vasco Bensaude e John McEnroy.
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Hoje — Jardim de 12,5 ha com coleções de camélias, cicadáceas e fetos, piscina termal e gestão hoteleira do grupo Bensaude.














